Protestos na Ucrânia: de quem é a culpa?

O país vinha negociando com o bloco europeu, o que era visto para muitos como uma maneira de melhorar a economia e de integrar mais o país à Europa Ocidental, diminuindo a influência russa, mal vista por grande parte dos ucranianos. Em 24 de novembro, mais de 100 mil pessoas foram às ruas. O governo não cedeu e logo entrou na pauta do protesto a renúncia do primeiro-ministro Mycola Azarov e do presidente Viktor Yanukovych. O próprio primeiro-ministro admitiu, em seguida, que a Rússia tinha pedido para que o acordo fosse adiado.

A crise se intensificou nos últimos dias, com choques violentos contra a polícia. Três pessoas morreram, dois ativistas baleados na praça da Independência em 22 de janeiro e um terceiro corpo foi encontrado em um bosque em Kiev com sinais de tortura. Nesse dia, cerca de 170 policiais ficaram feridos.

Vladimir Putin
O fracasso na negociação com a União Europeia foi um duro golpe para o país, que anseia por dias melhores. A economia ucraniana deve crescer 0% em 2013, segundo o Banco Mundial. No primeiro semestre, a economia encolheu. Além disso, os ucranianos querem fugir da mão invisível (e de ferro) do governo russo.

Putin pressionou o aliado, presidente Yanukovych, para que ele não assinasse o acordo com o bloco. Como forma de ameaça, Putin ameaçou cortar o fornecimento de gás e criar medidas protecionistas contra os produtos ucranianos.
Ele insiste para que o governo de Azarov assine uma união aduaneira com ele no lugar do acordo com o bloco europeu. Seria um bloco euroasiático que, no fim, reuniria as nações da antiga União Soviética.

A influência russa no país não é novidade. Por séculos os ucranianos foram dominados por Moscou e, em regiões no leste do país, ainda se fala russo. Em 2012, o governo aprovou uma lei polêmica, que tornava obrigatório o ensino da língua russa em escolas de regiões com muitos falantes russos. A decisão gerou intensos protestos.

Manifestantes
Um manifestante famoso na multidão é Vitali Klischko, um campeão de boxe e agora líder da oposição. Ele planeja concorrer à presidência em 2015 com o lema “um país moderno com padrões europeus”.

Outro líder das manifestações é Arseniy Yatsenyuk, do segundo maior partido ucraniano, o Pátria. Ele é aliado de Yulia Tymoshenko, ex-premiê, rival do atual presidente e presa desde 2011, acusada de abuso de poder.

Por ser considerada uma presa política – seu julgamento e prisão foram vistos como arbitrários –, Yulia virou símbolo máximo da oposição ao governo ucraniano e à Rússia.

A União Europeia até colocou, como pré-condição para assinar o acordo com o país, a sua libertação. O presidente não concordou. Com isso, ele inflamou ainda mais os manifestantes.

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