Animação abafada pelo calor

Apesar da estratégia de trazer para Brasília militantes dos quatro cantos do Brasil, com a contribuição de entidades como a Central Única dos Trabalhadores (CUT) e o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), apenas cerca de 10 mil pessoas estavam na Esplanada dos Ministérios no auge da celebração de ontem, durante o desfile em carro aberto da presidente reeleita, Dilma Rousseff. O sol escaldante esfriou a empolgação da militância, que passou o dia em uma disputa silenciosa pelas poucas sombras disponíveis, e reservou a energia para os momentos de aparição da presidente. Apesar do clima de festa que costuma cercar as posses presidenciais, cerca de 70 manifestantes que pediam o impeachment de Dilma foram hostilizados, xingados e até agredidos por parte da ala vermelha.

Por volta das 14h, um grupo se reuniu perto da Catedral Metropolitana de Brasília em protesto contra a reeleição da petista. Entre os presentes, estavam integrantes do movimento Revoltados ON LINE e do grupo católico Pró-Vida, além de pessoas ligadas ao Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB). Juntos, os 50 manifestantes lançaram cerca de 3 mil balões negros durante o embarque de Dilma no Rolls-Royce presidencial, ato que deu início à cerimônia de posse. “O PT mente desGRAÇAdamente” (em referência a Maria das Graças Foster, presidente da Petrobras) e“O Brasil não pertence ao PT”eram algumas das frases estampadas em cartazes e balões. “A manifestação é pacífica. Os balões representam o nosso luto diante da reeleição presidencial. Lutamos por um país progressista e o Brasil não pertence ao PT”, explicou Paulo Fernando, membro do movimento Pró-Vida.

Em frente ao Palácio do Itamaraty, por volta das 14h30, militantes tentaram agredir um homem que segurava um cartaz com os dizeres“ Aécio Neves 2018—competência jovem!”. A confusão foi contida por homens da Polícia Militar, que tiraram o manifestante do local. Além das posições políticas destoantes, desde o início da manhã na Esplanada, uma romaria do movimento Brasil Sem Aborto participava da cerimônia. Com uma cantoria embalada pelos versos da canção Jesus Cristo, de Roberto Carlos, eles se valeram dos holofotes da posse para encampar um protesto contra a legalização do aborto no Brasil.

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Apoio
Apesar das brigas e dos protestos, a maioria dos presentes se mostrava favorável à reeleição de Dilma Rousseff. Entre eles, estavam representantes da União Geral dos Trabalhos (UGT) de Goiás. “Este é um momento de apoio ao governo e não de críticas. Independentemente da posição política de cada um, estamos aqui representando os trabalhadores para lembrar a Dilma que este é o tempo para operar mudanças positivas”, defendeu a líder sindical da UGT Nélia do Rosário, 52 anos. Apertado contra as grades de segurança, o público fez o possível para registrar o momento da passagem da presidente no Rolls Royce, presente dado pela rainha Elisabeth II da Inglaterra ao governo brasileiro, em 1953. “Você conseguiu ver?”, perguntava um. “Ela fez coraçãozinho pra gente”, vibrava outro. “Quase morri do coração! É de matar, até tirei foto do meu dedo, de tanto que tremi!”, justificava Leopoldo da Silva Lima, de Ribeirão Preto. Ex-morador de Brasília e petista convicto, Leopoldo trouxe a ex-mulher, duas filhas e um cunhado para o réveillon e a posse. “São Paulo tem uma tradição de ser de direitona braba, mas Lula ganhou lá em 1989”, recorda com orgulho.

Alheios na maior parte do tempo aos protestos, os militantes petistas comemoravam mais um mandato da sigla no Palácio do Planalto — o quarto consecutivo. Animado por tambores e instrumentos musicais, um grupo de Osasco (SP) ocupou uma parte do gramado com faixas, bandeiras e banners de apoio à presidente. Entre eles estava um boliviano radicado no Brasil há 20 anos Gregório Mamani. “Eu sou o representante do Evo Morales na posse”, brincou. “Gostaria de desejar um bom governo para a companheira Dilma. Espero que ela continue a apoiar os pobres, como tem feito até hoje”, desejou o militante. A professora Tatiana Rodrigues Curcino, 35 anos, viajou de Araguari, em Minas Gerais, para Brasília com a família de oito pessoas em dois carros, só para ver aposse.Eleitora da presidente, Tatiana acredita que Dilma mudará os rumos da educação do país. “Os professores de Minas Gerais estão muito insatisfeitos com o rumo que o ensino tomou em Minas. Falta qualidade. Precisamos mudar isso. Eu acredito na mudança com Dilma”, disse. A família esperava pela saída da presidente da residência oficial, que deixou o Palácio da Alvorada por volta das 14h30 em direção ao Congresso para ser empossada. A presidente acenou de dentro do carro para as cerca de 50 pessoas que aguardavam sua saída nos portões do Alvorada.

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