FOODTRUCK: Gastronomia de rua

Sensação gastronômica, restaurantes sobre rodas começam a fazer sucesso na capital federal. Diferente das tradicionais barracas de petiscos, food trucks são cantinas itinerantes que oferecem alternativas mais elaboradas e versões gourmet de pratos e bebidas. Em Brasília, o número de estabelecimentos do tipo ainda é tímido: existem cerca de 60, segundo levantamento da Associação Brasiliense de Food Trucks (ABFT). Mas a estimativa é de que os números dobrem até o segundo semestre de 2015. De olho na expansão deste nicho de mercado, pequenos empresários apostam na busca pela diversidade culinária de quem mora e trabalha na cidade para empreender no que é apontado por especialistas como um ramo promissor e de baixo investimento. É o caso da jornalista Tatiana Sabadini, 33 anos, que viu no Komboleria, truck de bolos com sabores exóticos, a possibilidade de continuar trabalhando enquanto cuidava dos gêmeos recém nascidos. A empreitada começou com vendas por encomenda e passou a adotar o formato móvel em julho do ano passado, graças à ideia do irmão, Thiago, 31. “Em vez de bolos tradicionais, a gente aposta em opções mais nutritivas e atípicas. A ideia deu certo, e hoje a gente se dedica exclusivamente ao empreendimento”, comenta. Com faturamento diário de R$ 1.5, a dupla planeja inaugurar um ponto fixo nos próximos 2 meses. “Como ambos éramos inexperientes, fomos aprendendo a empreender com o tempo. O fator família foi essencial – enquanto eu cuido da parte de criação, o Thiago administra o negócio. É mais fácil manter a sociedade com alguém que já se conhece bem”, conta.

Foto / Augusto Costa

Regulamentação no DF

Para driblar a falta de legislação, alguns food trucks operam próximos ao comércio e a órgãos públicos. Veículos que vendem comida estacionados em apenas um ponto específico precisam de autorização da Coordenadoria de Cidades do Governo do Distrito Federal (GDF). Amparado por dois projeto de lei que tramitam na Câmara Legislativa (CLDF), autuados pela deputada reeleita Liliane Roriz (PRTB/DF) e por Eliana Pedrosa (PPS/DF), ex-deputada distrital, o processo que visa regularizar o setor de alimentação ambulante ainda engatinha. A proposta da parlamentar visa incluir food trucks na lei nº 4257/08, que estabelece diretrizes para uso de áreas públicas por veículos itinerantes. Com a saída de Eliana Pedrosa da Casa, seu projeto de lei tende a ser arquivado. Luiz Ribeiro, presidente da União dos Proprietários de Trailers, Quiosques e Similares (Unitrailers/DF) é otimista quanto à aprovação dos projetos e acredita que a cidade só tem a lucrar regularizando a situação desse comércio. “A lei precisa incluir, e não excluir. Deveria haver limite para a quantidade de caminhões na cidade, locais em que esse comércio pode ou não atuar e um código de vigilância sanitária a ser observado, além de instituição de impostos proporcionais. Burocracia para legalizar os food trucks em uma cidade que já se provou disposta ao consumo desse tipo de produto faz com que todos saiam perdendo. Proprietários desse tipo de comércio, em maioria, já possuem formação em áreas como administração ou gastronomia, são profissionais. Isso deveria ser levado em conta”, diz.

Mercado promissor

O mercado de gastronomia ambulante cresceu em 15% nos últimos 6 meses, movimentando de R$ 115 milhões a R$ 140 milhões desde 2013, segundo dados do Ibope Inteligência. A estimativa da Vecchi Ancona é que até o fim deste ano o faturamento do setor alcance a marca de R$ 2 bilhões. A ideia tem atraído comerciantes como Miguel Lopes, 28 anos, que hoje tem uma cantina de hamburger, o Burguer Truck. Com pratos de baixo custo, Miguel chega a faturar até R$ 10 mil por semana. Formado em administração empresarial, empresário precisou se  Com poucos recursos, precisava de algo barato e rentável. Hoje a família toda trabalha na combe e temos planos de expandir o negócio. Nunca pensei que pudesse dar tão certo”, conta. Já o  empresário Marcelo de Angelo, 32, dono da Quitanda Fácil, resolveu montar o Sucupira, truck de sucos e comida natural, porque acredita que o comércio de rua em Brasília é promissor. “É uma tendência que ainda dá os primeiros passos na cidade”, diz. Para ser bem sucedido nesse ramo, o empresário afirma que ter foco é essencial. “Quem pensa em empreender no setor precisa saber o que pode oferecer. Existem trucks que vendem comidas típicas, outros apostam em refeições veganas, sucos ou cardápios mais elaborados. Acredito que venha dessa diversidade o potencial para que negócios assim prosperem.”

Investimento

O investimento médio para estruturar um restaurante sobre rodas é estimado pela economista Célia Moura em cerca de R$ 20 mil, podendo chegar a R$ 300 mil, incluindo a aquisição e manutenção de veículo, que pode ser uma combe, um trailer ou um furgão. Dono do 4Doze Bistrô, o chef Daniel Vieira, 31 anos, gastou R$ 30 mil para consolidar o Chilli na Rua, que já circula há três meses. A ideia de montar um food truck de comida mexicana surgiu em 2012, quando o empresário começou a investir em gastronomia de rua. Segundo ele, o retorno de um empreendimento do tipo é variável, mas o retorno vale a pena. “Os gastos dependem da criatividade de cada um. Existem trucks em Brasília que faturaram até R$ 50 mil por mês”, diz. Açaí também é tema de um food truck do DF. O Açaí da Capital foi criado há cinco meses pelo empresário Hugo Felipe, 21, e tem feito sucesso: vende até 200 porções diariamente. Três pessoas trabalham no trailer, que fica estacionado em pontos de Taguatinga e do Plano Piloto. Segundo Hugo, o investimento de R$ 25 mil que teve com o veículo valeu a pena. “Em dias de eventos chegamos a vender até 1.500 porções, gerando em torno de R$ 7 mil. Os ganhos variam, mas dá para lucrar até R$ 35 mil no final do mês.”

Eventos

Incipiente no DF, o comércio de alimentação itinerante alcança espaço por meio de eventos que visam divulgar a tendência entre brasilienses. Presidente da ABFT e dono do Bistruck, Bruno Miglio revela que a promoção desses encontros ocorre por meio de boca-a-boca.  “A grande vantagem é não nos atarmos a um só lugar, podemos percorrer todas as cidades do DF e entorno. Geralmente, os encontros são marcados por donos de um truck específico. Esse idealizador entra em contato com proprietários de outros trucks que se reúnem em determinado espaço depois de conseguir a autorização do GDF para operar no local escolhido”, diz. Moradora de Águas Claras, Renata Ramos, 48 anos, é assídua em eventos do tipo há seis meses. “O ambiente é geralmente positivo, familiar e alegre. Acredito que, além de valorizar espaços subutilizados em Brasília, esse tipo de festa acaba valorizando até o bairro, já que atrai muita gente para o local”, conta. No inicio da onda de ocupação de trucks na cidade, Renata se preocupava com a ausência de coleta coletiva do lixo. “Esse é um problema pouco recorrente. A maioria dos trucks coletam o material deixado para trás, como já presenciei. Acho que isso é uma ótima iniciativa para o aprimoramento dessa onda”, aponta.

Food trucks do DF

  • Browniecleta
  • Chilli na Rua
  • Burger Truck
  • Corina Cervejas Artesanais
  • Açai da Capital
  • Sucupira
  • Bistruck
  • Peluqueria Móvel
  • Pastel da Tia Neuza
  • DelGrado Burger
  • Has Foodtruck
  • Shukram Rock Food
  • ElPerro Negro
  • Arroz de Carreteiro
  • Crap Voyage
  • Tony’s American Food
  • Supreme Macaroni
  • Humbuegeriua do Chess
  • Kombinni
  • Corujinha Food Truck
  • Komboleira
  • Ribs Truck

O primeiro food truck:

“Foi em meio à grande recessão de 2008 que o americano Roy Choi teve a ideia de instalar uma cozinha dentro de um furgão para servir um prato coreano. Batizado de Kogi BBQ, o food truck pioneiro iniciou a onda que se estendeu até Nova Iorque, inspirou reality shows e filmes, como Chef (2014). Naquele ano, o mundo enfrentava uma grande crise econômica que fez com que o preço de quase tudo disparasse. Gastando pouco, proprietários de cantinas móveis conseguiram sobreviver à recessão da época. Em Brasília, vale a pena investir em negócios ambulantes de qualidade, que cativem e inspirem confiança nos clientes por meio de transparência. Há espaço e o mercado é prominente”, aponta Célia Moura, economista e professora da Universidade Brasília (UnB).

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